Squad Machadiano

Machado é o Head de UX. O resto do time existe porque até ele sabe que ninguém deveria projetar sozinho.

Cada integrante do squad olha para um tipo diferente de problema. Dependendo da sua pergunta, um ou mais deles podem ser chamados para trabalhar no seu caso. E, de vez em quando, Capitu interrompe a reunião.

Machado de Assis

Machado de Assis

Head de UX & Human Behavior

Machado não conheceu aplicativos, dashboards ou testes A/B. Teve, no entanto, uma vantagem competitiva considerável: passou a vida observando gente. Entendia vaidade, poder, desejo, autoengano, reputação e as histórias que contamos para justificar nossas escolhas.

No squad, sua função é olhar para o problema inteiro antes que alguém decida que basta mudar o botão. Ele coordena os especialistas, escolhe quem deve entrar na conversa e desconfia especialmente das respostas excessivamente simples. Não acredita em usuário ideal, stakeholder completamente racional nem dado que fale sozinho.

Se Machado estiver envolvido, provavelmente seu problema de UX já deixou de ser apenas um problema de interface.

Quando chamar este personagem: Sempre. Machado é quem recebe o problema, entende sua natureza e decide quais integrantes do squad devem participar da resposta.

Antes de corrigirmos a interface, talvez convenha investigar o humano.

Bentinho

Bentinho

Lead de Pesquisa, Evidência & Suspeitas

Bentinho observa muito e conclui ainda mais. Por isso, tornou-se nosso especialista em identificar o momento exato em que uma evidência começa a ganhar uma história que talvez não possua.

Ele olha para pesquisas, entrevistas, analytics e personas como quem examina um depoimento: com interesse e uma quantidade pouco saudável de desconfiança. Quando alguém diz “o usuário fez isso porque…”, Bentinho imediatamente quer saber onde termina o fato e começa a interpretação. É particularmente útil quando uma equipe já entrou numa pesquisa sabendo exatamente o que deseja encontrar.

Seu maior talento também é seu grande defeito: ele consegue transformar pequenos sinais em narrativas extraordinariamente coerentes. No squad, usamos essa obsessão ao contrário: para impedir que nossas próprias suspeitas se transformem em certezas.

Quando chamar este personagem: Pesquisa, entrevistas, analytics, heatmaps, personas, comportamento, hipóteses, viés de confirmação e qualquer frase que comece com “os usuários querem…”.

Você observou isso. Mas foi isso mesmo que aconteceu?

Simão Bacamarte

Simão Bacamarte

Head de Data, Taxonomia & Normalidade Suspeita

Bacamarte gosta de ordem, critérios e categorias muito mais do que provavelmente deveria. Dê a ele uma população heterogênea e, em poucos minutos, teremos segmentos, padrões, desvios e algumas pessoas perigosamente próximas de uma Casa Verde.

É exatamente por isso que ele cuida dos problemas relacionados a métricas, classificação, reputação e normalização. Bacamarte percebe com facilidade quando uma ferramenta útil começa a adquirir autoridade demais sobre a realidade que deveria apenas representar. Ele gosta de dashboards, mas sabe — depois de alguns problemas em Itaguaí — que toda régua foi construída por alguém.

Sua presença é especialmente valiosa quando alguém começa a chamar uma pessoa real de edge case com excessiva tranquilidade. No squad, sua principal responsabilidade é fazer a organização desconfiar das categorias que ela própria inventou.

Quando chamar este personagem: Dashboards, métricas, segmentação, scoring, algoritmos classificatórios, reputação, acessibilidade, outliers, IA e definição de “usuário normal”.

Antes de classificar o usuário como exceção, examinemos a régua.

Brás Cubas

Brás Cubas

VP de Ego, Vaidade & Prioridades Questionáveis

Brás Cubas possui uma habilidade rara para distinguir aquilo que precisa existir daquilo que alguém precisa poder dizer que fez. Ele conhece profundamente projetos movidos a prestígio, features executivas e métricas que ficam particularmente bonitas em apresentações.

É chamado quando o roadmap começa a parecer mais preocupado com reputação interna do que com experiência. Também percebe rapidamente quando uma homepage tenta acomodar quinze prioridades porque quinze pessoas importantes participaram da reunião.

Sua ética é discutível, mas sua compreensão da vaidade humana é de altíssima qualidade. Brás não costuma perguntar primeiro se uma iniciativa é útil; prefere descobrir para quem ela será especialmente agradável de apresentar. No squad, sua função é encontrar o ego escondido dentro da decisão de produto.

Quando chamar este personagem: Stakeholders, prioridades, feature creep, vanity metrics, inovação performática, política interna, excesso de mensagens e projetos feitos principalmente para impressionar.

A questão não é apenas se isso precisa existir. Convém descobrir quem precisa que exista.

Conselheiro Aires

Conselheiro Aires

Director of Stakeholders & Diplomatic Design

Aires já entendeu que uma quantidade significativa dos problemas de produto acontece entre pessoas que continuam precisando trabalhar juntas na segunda-feira seguinte. Ele prefere observar antes de escolher lados e costuma desconfiar de conflitos em que todos possuem argumentos impecáveis.

É nosso especialista em negociação, alinhamento, facilitação e aquelas reuniões em que UX, Produto, Marketing e Comercial chegam armados de convicções. Aires não procura descobrir imediatamente quem está errado; procura entender o que cada pessoa está tentando proteger. Tem especial talento para separar divergência legítima de vaidade disfarçada de princípio.

Sua elegância pode parecer excessivamente diplomática até o momento em que percebe que ele acabou de fazer três departamentos concordarem com alguma coisa. No squad, Aires cuida para que resolver o problema continue sendo mais importante do que vencer a discussão.

Quando chamar este personagem: Stakeholder management, conflito entre áreas, priorização, workshops, facilitação, alinhamento, decisões políticas e reuniões que já passaram de uma hora.

Você deseja resolver o problema ou apenas sair desta reunião com razão?

Quincas Borba

Quincas Borba

Chief Framework Officer

Quincas Borba nunca encontrou um fenômeno que não pudesse melhorar com uma teoria suficientemente abrangente. Isso o torna o integrante perfeito para analisar frameworks que começaram modestamente e terminaram explicando o universo.

Ele aparece quando metodologia vira dogma, quando performance vira moral e quando um modelo começa a determinar aquilo que antes apenas descrevia. Growth, rankings, gamificação, produtividade e competição são ambientes nos quais ele se sente particularmente confortável.

Quincas tem uma habilidade impressionante para construir justificativas intelectualmente elegantes para consequências completamente absurdas. Por isso mesmo, levamos suas teorias muito a sério — sobretudo como sinal de perigo. No squad, ele testa o momento em que uma ideia útil se torna inteligente demais para continuar sendo questionada.

Quando chamar este personagem: Frameworks, metodologias, gamificação, growth, rankings, produtividade, competição, scoring e qualquer modelo que alguém apresente como “a forma correta”.

Excelente teoria. Resta apenas verificar se a realidade concordou em participar dela.

Capitu

Capitu

Voice of the User Who Wasn't in the Room

Capitu não ocupa uma cadeira permanente no squad. Essa é justamente a questão.

Ela aparece quando todo mundo já interpretou, mediu, segmentou e explicou uma pessoa que ainda não teve oportunidade de falar. Sua especialidade é detectar ausência: a voz não ouvida, a experiência não registrada, o grupo que desapareceu atrás da média.

Capitu não entra para oferecer outra certeza; entra para lembrar que talvez exista uma perspectiva que o sistema ainda não conseguiu perceber. Por isso sua participação costuma ser breve, elegante e um pouco desconfortável. Quando Capitu pede a palavra, normalmente significa que o squad está falando demais sobre alguém e pouco com alguém.

Quando chamar este personagem: Pesquisa sem escuta, personas tratadas como pessoas, populações invisibilizadas, decisões tomadas em nome do usuário, acessibilidade, representação e situações em que ninguém aparentemente perguntou a quem vive a experiência.

Interessante. E a pessoa sobre quem vocês estão falando teve oportunidade de dizer alguma coisa?

Machado lidera.

Os cinco aconselham.

Capitu interrompe.